João Ribeiro - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
João Ribeiro
João Ribeiro
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João Ribeiro (Laranjeiras, 1860 – Rio de Janeiro, 1934) foi um jornalista, crítico literário, filólogo, historiador, pintor e tradutor brasileiro. Foi professor de história e, como jornalista, trabalhou no jornal Época e no Correio do Povo. Foi membro da Academia Brasileira de Letras e um dos principais promotores do acordo ortográfico de 1907. Das suas obras, destacam-se: História do Brasil (1901), Estudos filológicos (1902), Cartas devolvidas (1926) e Os Modernos (1952).

 
Textos publicados pelo autor
Frases Feitas
Estudo conjetural de locuções, ditados e provérbios (3.ª edição)
Por João Ribeiro

A obra Frases Feitas, de João Ribeiro (1860-1934), filólogo, historiador e crítico literário brasileiro, foi publicada em 1908 e reeditada pela Academia Brasileira de Letras em 2009 (3.ª edição), com prefácio de Evanildo Bechara e uma introdução do seu filho Joaquim Ribeiro.

Esta publicação responde ao objetivo de coligir expressões correntes, usadas no português. Para estas expressões, João Ribeiro procurou uma explicação histórica que pudesse justificar quer o seu sentido quer a sua forma. Este trabalho não foi, todavia, isento de críticas, que, na época, agitaram o meio intelectual da filologia. Como resumiu Evanildo Bechara, a obra «revela-nos a confirmação da explicação histórica de muitas frases românicas, ao lado de conjeturas aceitáveis propostas por J. Ribeiro e de conjeturas esboçadas sem o menor fundamento. Algumas vezes, a falta de fundamento é entrevista pelo próprio autor; para resolver o dilema, arrola, para a mesma frase, outra e até outras conjeturas, que continuaram não convencendo o proponente e o leitor» (p. IX)

A obra é, não obstante, um excelente ponto de partida para o conhecimento de perto de 800 expressões idiomáticas e para a exploração do seu significado, inclusive numa perspetiva de investigação (como aliás já tem acontecido). Entre as expressões analisadas, encontram-se, por exemplo, «Água no bico», «Aqui não está quem falou», «Bezerra (a mort...

Os nossos clássicos escreviam com lenteza, e com vagar é que compunham. Não podem, pois, ser devorados de um trago, como os livros de hoje, improvisados num laço.

Aquilo que com vagar se compôs, durante anos se castigou e poliu, do esboço à derradeira mão, guarda sempre coisas e ideias subentendidas, elipses e segredos mentais, e rascunhos de palimpsestos, sentimentos inescritos, outrora claros e hoje invisíveis, que é mester subentendidos, aclarados, decifrados, ressuscitados, enfim, n...