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[Pergunta | Resposta]

O conceito de verbo auxiliar

[Pergunta] Estou estudando sobre a questão da auxiliaridade verbal e percebo o quanto o assunto é controverso. Preciso de ajuda para pensar melhor sobre tal questão. Pesquisei em trabalhos de dissertação e tese, além de Maria Helena Neves, Bechara e Maria Helena Mira Mateus (lingüista lusitana) e cada vez me sinto mais confusa.

Gostaria de saber qual é o conceito de auxiliaridade verbal. Alguns dizem que o verbo auxiliar perdeu seu sentido de verbo pleno (gramaticalização), outros dizem que não totalmente, outros esclarecem que depende do contexto. Até o uso da palavra gramaticalização é controverso!

Existe uma classificação dos verbos auxiliares? Por que Bechara chama os verbos causativos e sensitivos de auxiliares? Em que situação eles se comportam como tal?

Obrigada!

Ana Machado :: Estudante :: São Paulo, Brasil

[Resposta] Não há, de facto, uniformidade de critérios linguísticos que determinem as fronteiras da auxiliaridade. A lista dos verbos considerados auxiliares difere de gramática para gramática.

Não obstante, começo pela definição de verbo auxiliar.

Um verbo auxiliar é um verbo que perdeu o seu sentido pleno e reforçou as suas marcas gramaticais. Quer isto dizer que ele não possui significado lexical, transportando apenas as desinências verbais.

Esse significado lexical é-nos dado, então, pelo verbo principal, que forma, com o verbo auxiliar, um complexo verbal.

Há vários tipos de verbos auxiliares:

1. Verbos auxiliares dos tempos compostos. São os verbos ter e haver seguidos do verbo principal no particípio passado:

(1) «O João tem lido jornais todos os dias.»

2. Verbos auxiliares modais. São os verbos poder, dever e ter de, seguidos do verbo principal no modo infinitivo:

(2) «O João pode sair mais cedo.»

3. Verbos auxiliares aspectuais. São os verbos estar a, andar a, ficar a, começar a, continuar a, acabar de, deixar de, que formam com o verbo principal um complexo verbal com valor aspectual. Em muitos casos, o português europeu usa o modo infinitivo, ao passo que o português Brasil usa o gerúndio:

(3) «O João está a ler/lendo.»

4. Verbos auxiliares temporais. São os verbos ir e haver de, que formam com o verbo principal um complexo verbal com valor de futuro:

(4) «O João vai sair mais cedo.»

5. Verbo auxiliar da passiva. É o verbo ser seguido do particípio passado do verbo principal:

(5) «O João foi castigado pelo pai.»

Há, no entanto, verbos que podem, num contexto, ser considerados verbos plenos, e, noutro, verbos auxiliares. Observem-se os seguintes exemplos:

(6) «O João tem um computador portátil.»

(7) «O João tem lido jornais todos os dias.»

Na frase (1), o verbo ter possui um significado lexical; pode ser substituído por um sinónimo: «possuir». É, portanto, um verbo pleno.

Na frase (2), por sua vez, o significado lexical encontra-se no verbo ler (aqui sob a forma de particípio passado). Não podemos, nesta frase, substituir o verbo ter por «possuir»; trata-se, então, de um verbo auxiliar.

Espero ter contribuído para um maior esclarecimento desta matéria.

Disponha sempre!

Sandra Duarte Tavares :: 03/07/2008

[Sintaxe]
Uma oração introduzida por «pelo que»
Tomar e o complemento oblíquo
Como evitar a ambiguidade
em orações com conjunções causais
«Demasiado rápida»
A regência de comprazer-se
Importar-se (de...)
Omissão de preposição antes de pronome relativo: «Um dia (em) que eu não chore»
O modificador do grupo verbal
na frase «Formar (...) no parque de estacionamento»
Os predicativos na frase
«a Maria ficou em casa sozinha»
Oração de gerúndio introduzida por com

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