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Holocausto, uma palavra para não esquecer

27 de janeiro, Dia Internacional da Memória do Holocausto, instituído desde 2005 pelas Nações Unidas, assinalou neste ano o 70.º aniversário da libertação pelo Exército soviético dos prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz – o acontecimento que marcou a sua revelação ao mundo. Este processo de extermínio sistemático de populações civis, levado a cabo pelo regime alemão nazi durante a 2.ª Guerra Mundial, afetou várias comunidades, sendo, sem dúvida, a judia a mais martirizada. Em hebraico, a tragédia é designada por Shoah (também escrito Shoá), palavra que significa «catástrofe», mas em português diz-se Holocausto que – como formas paralelas noutras línguas – provém do grego holókaustos (hólos, «total, completo, inteiro», + kaustós, «queimado»), «sacrifício em que se queima a vítima inteira», por intermédio da forma latina holocaustum. Não se julgue que a palavra é recente em português: pelo contrário, é usada como substantivo comum e tem longa tradição em textos de índole religiosa, por aludir aos sacrifícios que os antigos hebreus praticavam e o Antigo Testamento refere. Pode ser sinónimo de sacrifício, como atesta a seguinte frase quinhentista, associando holocausto à construção de um paradoxo: «Pera o merecimento tambem, melhor he a obediencia que sacrificio, e nenhua cousa se offerece mais grata a Deos, que o holocausto da sancta obediencia» (Espelho de Disciplina, em Crónica dos Frades Menores, incluída no Corpus do Português, de Mark Davies e Michael Ferreira).


 No consultório, comenta-se a sintaxe do arabismo oxalá e do se indefinido; esclarecem-se igualmente dúvidas sobre a classe de palavras de quanto e a legitimidade do uso de dois vocábulos, alavancar e sonial.


 O programa Língua de Todos (sexta-feira, 30 de janeiro, às 13h30*, na RDP África, com repetição em 31/01, às 9h10*) convida o professor Bruno Gonçalves, da Universidade Aix-Marseille, a propósito de um estudo universitário recentemente publicado que conclui que a «influência de uma língua se mede pela capacidade de ligar línguas distantes (nem o número de falantes, nem a riqueza económica são o que mais condiciona a influência de uma dada língua a nível global)». O Páginas de Português (domingo, 1/02, às 17h00*, na Antena 2) entrevista Marisa Mendonça, diretora do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, para um balanço dos primeiros meses à frente do instituto e projetos, e Francisco Ramos, do Observatório da Língua Portuguesa, que se referirá às estatísticas disponíveis sobre a língua portuguesa; finalmente, um apontamento sobre a aproximação das celebrações do centenário da revista Orpheu, marco fundamental do Modernismo português.

* Hora oficial de Portugal continental, ficando também disponível via Internet, nos endereços de ambos os programas.


Para os alunos e professores de Português (língua materna e não materna), a Ciberescola da Língua Portuguesa e os Cibercursos facultam acesso gratuito a recursos didáticos. Mais pormenores, incluindo informação sobre cursos individuais para estudantes estrangeiros (Portuguese as a Foreign Language), no Facebook e na rubrica Ensino.


O apelo SOS Ciberdúvidas dirige-se a quantos reconhecem que o serviço prestado nestas páginas promove a língua portuguesa, a todos tornando acessível a diversidade dos seus temas. Ajude-nos também com o seu contributo: basta seguir as instruções indicadas aqui. Os nossos agradecimentos.

Ciberdúvidas da Língua Portuguesa :: 28/01/2015


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[Destaques]
«Oxalá que...»
Quanto, como pronome relativo
«Comeu-se desses biscoitos»: se indefinido
Sonial
Alavancar
Qual é o feminino de bispo?
Ciberescola: ensino em linha
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