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[Pergunta | Resposta]

A divisão silábica de teia

[Pergunta] A professora da minha filha, que frequenta o 1.º ano do 1.º ciclo, comentou comigo que tinha tido dúvidas na divisão silábica da palavra 'teia'. 'eia', defendia ela, é ditongo (tritongo talvez?) e não se deveria separar. Eu teria separado, segundo os meus latos conhecimentos na matéria, intactos desde a Primária, por mais nenhum estabelecimento de ensino me ter ensinado mais nada nesse domínio e, ano após ano, do 5.º ao 9.º, me entreterem sucessivamente com as funções da linguagem... Depois veio a literatura e nada mais de gramática, cuja atenção dos programas é claramente insuficiente. Eu até tive 19 valores no 11.º ano e venho aqui pôr estas questões! Bom, a sua dúvida não tinha a ver com translineação mas com separação silábica, que são coisas diferentes; o que já aprendi (recordei?) hoje na consulta ao vosso sítio. Mas as dúvidas dobraram. Então 'ri o' separa-se, como li numa resposta vossa e 'his-tó-ria' mantém numa só sílaba 'ria'? Pareceu-me que há uma divisão tradicional e uma mais actualizada...? E 'teia', 'cheia', 'meia', 'aia', 'ia', quantas sílabas têm? Peço muita desculpa pela minha ignorância, mas não pertenço a este domínio. Muito obrigada.

Ana Maria Caldeira :: Professora :: Portugal

[Resposta] Gostei muito de ler os seus comentários, cara consulente: oportunos e válidos.
Respondendo à sua dúvida, dir-lhe-ei que a palavra teia tem duas sílabas: tei-a.
As suas dúvidas ao consultar o Ciberdúvidas talvez tenham ocorrido porque nós respondemos segundo a Gramática Portuguesa e também, quando os consulentes são brasileiros ou pretendem resposta nessa variante do Português, segundo o que dizem os gramáticos brasileiros.
Mas, vamos às dúvidas que apresenta. Em Portugal, as palavras que refere fazem a seguinte divisão silábica: ri-o, his-tó-ri-a, tei-a, chei-a, mei-a, ai-a, i-a.
Na translineação, como não se deve deixar uma vogal sozinha no início ou no final de linha, a única dessas palavras que pode ser translineada é história (his-tó-ria).
Quanto ao conceito de sílaba, tradicionalmente, considerava-se como podendo constituir sílaba: uma vogal, um ditongo (decrescente), uma vogal precedida e/ou seguida de consoante ou grupo consonântico, um ditongo precedido de consoante ou grupo consonântico e/ou seguido de consoante.
Quanto aos ditongos, eles são constituídos por uma vogal e uma semivogal (i ou u). A semivogal é uma vogal doce que faz parte de um ditongo; é uma vogal tão pouco pronunciada que se situa entre o som de uma vogal e o de uma consoante. As semivogais são, pois, o i e o u quando fazem parte de um ditongo. Os ditongos podem ser decrescentes ou crescentes, consoante essa semivogal se situa no final ou no início do ditongo. Um ditongo é um encontro de duas vogais que se pronunciam numa só emissão de voz. São ditongos decrescentes orais os seguintes: ai, au, ei, eu, iu, oi, ou, ui. Por vezes, alguns encontros de duas vogais em que o i ou o u estão no início (ex.: ia, ie, io, ua, uo) são pronunciados de tal modo que esse i e esse u deixam de ser vogais plenas e passam a semivogais, criando ditongos crescentes: crescentes porque o som “cresce” desde o som mais fraco da semivogal que inicia o encontro vocálico ao som mais forte da vogal plena que se segue. Isso acontece em palavras como glória, história, água.
Dada a instabilidade dos ditongos crescentes (esses encontros vocálicos podem ser, ou não, pronunciados como ditongos), a gramática portuguesa não os considera como tais na divisão silábica formal, escrita.
No Brasil, os gramáticos consideram que os ditongos crescentes também constituem sílaba gráfica, fazendo, pois, na palavra história a divisão em três sílabas (his-tó-ria). Já a palavra rio, quer no Brasil quer em Portugal, é considerada como tendo duas sílabas, pois tanto o i como o o (de som “u”) são pronunciados como vogais plenas.

M.R.M.R. :: 11/12/2003

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