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[Pelourinho]Neologismos

Argumentário *

Wilton Fonseca**

Porquê o erudito «argumentário», e não «argumentos» ou «argumentação»? O que leva os jornalistas a colarem-se ao “discursário” político oficial?

 

Encontrei a palavra argumentário no "Expresso" e no i: o governo preparou um argumentário para justificar a «saída limpa»; no Largo do Rato [localização do Partido Socialista], desmonta-se o argumentário; Martins da Cruz tem um argumentário em defesa da  adesão da Guiné-Equatorial à  CPLP.

Ignorada por escritores, cada vez mais presente nos blogues, tem um sentido claro: trata-se de um conjunto de argumentos, um corpo de raciocínios que permite tirar uma consequência ou uma dedução. O que não é claro: por que razão o erudito argumentário, e não argumentos ou argumentação?

Ao optar por um termo erudito (semierudito) em detrimento de um outro, popularizado, o jornalista (o blogueiro) cola-se ao "discursário" político oficial. Argumentário enobrece o discurso da argumentação da saída limpa, através do qual o governo quer ser erguido à mais elevada condição restauradora e libertadora; também torna menos risível o discurso justificativo da adesão da Guiné-Equatorial à CPLP.

O sufixo -ario/a (latim arius/a/um) é frequentemente utilizado em português para formar substantivos que indicam agentes de um acto (incendiário), de uma tarefa ou função (missionário), membros de um grupo (correligionário), aqueles que manifestam um determinado tipo de carácter (perdulário) e ainda determinados locais de colectiva proveniência (berçário). Como -aria, é reconhecível em velhacaria, patifaria, pirataria, pancadaria, vozearia e porcaria, para não ir por aí além.

Uma palavra muito bem escolhida.

Outros textos do autor.

 

* texto publicado na coluna do autor "Pontos nos ii", no jornal i, de 8 de maio de 2014. Manteve-se a grafia anterior ao Acordo Ortográfico seguida pelo jornal. :: 09/05/2014

Sobre o autor

** Wilton Fonseca é um jornalista português nascido no Brasil. Licenciado em Filologia Românica (Faculdade de Letras de Lisboa), onde lecionou Introdução aos Estudos Linguísticos, Sintaxe e Semântica do Português. Foi diretor de Informação das agências noticiosas Anop e NP, chefiou os serviços de comunicação das fundações o Gulbenkian e Luso-Americana para o Desenvolvimento. Foi chefe de Informação (PIO) das missões de paz das Nações Unidas em Angola, Timor Leste, Kosovo e Burundi. Foi diretor-geral da Leya em Angola.

 

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